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Segunda-Feira, 30 de outubro de 2017, às 14h:02min.
Percepção sobre a crise econômica
Marcello Leonardi Bezerra
É professor, economista, consultor de intuições públicas e privadas e coordenador econômico da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa)

Nos últimos três meses em particular a população em geral tem sido bombardeada, com notícias e informações de que o Brasil não está mais em crise e que os dados econômicos reforçariam estas afirmativas. Independentemente do nível de governo no Brasil, federal, estadual ou municipal, existe uma propaganda acentuada de que estão sendo feitos grandes investimentos, principalmente do governo federal.
 
Percebemos que a maioria das pessoas independentemente de sua renda ou ocupação não compreende e não entende esta afirmativa da forma como está sendo apresentada.
 
A crise econômica brasileira começou a ser sentida de forma concreta em 2014 e acentuou entre 2015 a 2016. Todos os indicadores econômicos como PIB, inflação, desemprego, Taxa Selic, INPC, IPCA, entre outros, demonstraram isto de forma inequívoca.
 
Como estamos expondo, as pessoas não entendem como a inflação está baixa, se os preços estão altos e muitos itens aumentam de forma absurda, como gasolina, gás, entre muitos outros itens. O desemprego ainda é muito alto.
 
Um dos grandes problemas do trabalhador brasileiro é que os preços subiram tanto nos últimos anos, e o seu poder aquisitivo reduziu tanto, que mesmo a inflação em baixa as pessoas acabam não tendo a percepção da redução de preços.
 
Vamos à realidade dos fatos. Existe uma diferença muito grande entre o que os dados econômicos demonstram e o que de fato as pessoas sentem de realidade prática. De fato, os índices demonstram uma tendência de melhora na crise. Seu auge já passou, mas ela é muito acentuada ainda. Os governos que normalmente são indutores da economia brasileira ainda estão anos luz de promover a economia de forma concreta, digo, através de investimentos, justamente pelo déficit publico muito alto. Reduzir impostos praticamente não é possível, pois muitos estão inadimplentes em questões básicas.
 
Os empresários ainda estão receosos para fazer grandes investimentos. Claro que investimentos de pequenas montas não estão deixando de ser realizados, até porque precisam fazê-lo para dar vida às suas empresas. Mas é importante notar que sem grandes investimentos, a economia não cresce da forma que precisamos e queremos para gerar um circulo virtuoso, com muitos empregos e aumento da renda.
 
Portanto, vamos ser positivos e realistas: ainda estamos em crise economicamente, mas o auge, ainda bem, já passou. Mas, para termos resultados positivos e concretos, temos que esperar um pouco mais. Precisamos estancar de forma definitiva a crise política brasileira, que atualmente tem sido o maior entrave para a melhora efetiva e mais rápida.
 
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